27.7.10



Dizem por ai que o ponto de vista é a vista de um ponto. Eu não vejo um ponto: vejo vários. Vejo uma reta, um desenho, um caminho, uma trilha, um final. Um final sem ponto. Talvez com três pontos (só porque eles me são aprazíveis). Um infinito de pontos a trilharem a existência, a ligarem os dias, a guardarem os cantinhos discreto de cada pulso. 

Na vida criam-se teorias, correntes, vertentes, visões. Estágios. Fases. Mas ela é uma. Uma vida, um universo. Cheio de possibilidades. Cheia de pontos, cheia de vistas. A visão da vida pode ser restrita como uma teoria limitadora, ultrapassada, minoritária. Ou trazer consigo as asas da liberdade. A vida é bela assim, carregada de sonhos, levada nas asas daquela velha amiga borboleta. 

A este ponto todos os pontos trazem consigo um balanço sereno. Seriam, talvez, os toques do fármaco ou os embalos da noite a levarem para bem distante as palavras. Nada mais para fazer sentido a este ponto. Mas afinal, com um universo tão plural, seria mesmo necessário que este sentido se fizesse um ponto? Encerro com reticências após esta pergunta retórica.

10.7.10



Estou me estranhando. Estou mudando. Mudando, mudando. Mudei. 
Eu tenho minhas urgências. Algumas são intensas como a chuva. Outras são leves como um passarinho. 
E eu era uma ontem, uma hoje cedo, outra agora. As reminiscências que me compõem jamais se abalaram tanto como por agora.  
Deixo de ter medo de minhas escolhas, medo dessa mudança obscura. Deixo de entrever os detalhes pela janela e me lanço à porta como um tiro de canhão. 
Deixo de ser cada dia apenas não óbvia, somente para me tornar o inesperado. 
Estou ouvindo meus anseios, meu norte. Estou sendo absolutamente consumida pela minha transformação. Estou sendo feita novidade, estou descobrindo novos sonhos, novos caminhos.  
Estou mudando. Mudando, mudando. Mudei. E não me estranho mais. 
 

17.4.10

17 de abril de 2010



Neste momento tenho uma ponta de medo do que se encontra sob este vestido negro e esta maquiagem perfeita. Neste momento tenho medo deste silêncio que não sei se quero que se faça palavra. Neste momento o simples movimento da noite me leva a querer calar-me vez outra, a querer espreitar o mundo do alto dos meus saltos. E não proferir qualquer julgamento, qualquer comentário cheio. Nesta noite não trago pretensões de praticamente nada..a não ser de mirar a vida que circunda minha existência; e de admirá-la como se a visse pela primeira vez, como se fosse nosso primeiro encontro. E talvez isso seja já suficiente para quebrar qualquer medo desta aprazia pelo silêncio. Esta noite vou me contentar em pensar que todas as minhas palavras são consumidas por eu estar perfeitamente bela e vou ficar, despretensiosamente, a admirar a vida.


Tirando os momentos em que sou uma absoluta mulherzinha, eu sou praticamente um homem.

"Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar." Clarice Lispector

16 de abril de 2010.



Esta noite vislumbrei detalhes de algo que, muito possivelmente, jamais se concretizará. E meus detalhes tinham sabores. Alguns sabores doces, outros um pouco aspéros. Mas, sempre, absolutamente intensos. Um devaneio destes gostosos, devaneios alados, brilhantes.

Mas eu acabei por me assustar um pouco ao notar que meu vislumbre ficou apenas por estes detalhes...em meus devaneios não consegui imaginar nenhuma conversa que tornasse aquela situação mais significativa. Não. Nada além daquela intensa sinestesia.

Abro parênteses para pontuar que eu realmente não sei se isso poderia ser diverso, uma vez que quem criou todo o quadro foi a minha mente, ora tão tortuosa. Fecho parênteses.

Os detalhes ficaram ali, guardados naquele tempo e espaço criados pela minha mente. Mas o silêncio assustou um pouco...assustou pela incapacidade de se fazer palavra (mesmo que fosse parte da minha criação). Assustou por ser um toque tão marcante nesta pequena grande existência. Assustou porque devaneios deveriam ser perfeitos, e não quebrados. Assustou porque pareceu que carregou em si a verossimilhança com a vida minha. Mas aqui peço permissão para afirmar que estou aprendendo, dia após dia, a encarar de forma mais absoluta os papéis que entendo pertinentes (e que fique claro: não os que me são delegados). Encaro, sobretudo, o papel de mulher não óbvia que sou.

Mudando do devaneio para o onírico, essa noite sonhei que estava em outra casa. Era uma casa com retoques do apartamento da rua com nome de poeta e advogado em que cresci. Mas eu transitava em um espaço imaginário que ligava as janelas dos quartos..um espaço do lado de fora do prédio. Um espaço que me permitia ver todo o fora mas também poder entrar nos quartos - se assim eu decidisse. No espaço que criei na noite anterior eu antevi o grito pela mãe, uma necessidade de segurar no parapeito, um pouco de pânico ao vislumbrar a liberdade de pender o corpo..no meu sonho eu retornei de uma janela para outra, entrando em uma outra parte do meu quarto (parte que no sonho eu sequer lembrava que existia e que não tem qualquer referência com o quarto real). Quando entrei nesta parte do quarto percebi que ela estava com a porta trancada. E eu decidi então destrancar a porta -- que era de vidro. Não me lembro a razão que me levou a estipular que, a partir de então, a tal porta ficaria aberta, mas me lembro bem porque eu mantinha ela fechada. Nada mais do que porque se alguém entrasse por ela poderia chegar ao outro lado do quarto, onde eu ficava, sem passar pela porta principal. E eu poderia não me dar conta de que alguém adentrava por aquela porta. Eu não me lembro ao certo o que aconteceu depois. Mas entendo que cabe a mim decidir o que acontece quando o vidro é aberto e expõe aquele local que sequer eu lembrava eu que existia.

Antes de pedir com licença deixo a Clarice Lispector trasbordar por mim:

"Ouve-me, ouve o meu silêncio. O que falo nunca é o que falo e sim outra coisa. Capta essa outra coisa de que na verdade falo porque eu mesma não posso."

7.2.10

Dia 06 de fevereiro de 2010.



PS: Acho que finalmente minhas palavras estão tocando o que tem forma. Reticências.

6.2.10

Dia 06 de fevereiro de 2010.




Quando se esvairão estas disfuncionalidades? O que estou a buscar com tudo isso?
Tive outro pesadelo esta noite. Mas desta vez algo um pouco diverso (ótimo sinal, arriscaria dizer!). Meu pesadelo foi interrompido porque acordei gritando. Eu estava chorando e gritando em sonho e acabei acordando em meio a gritos. Na verdade não fazia sequer muito sentido...esta coisa de se sonhar que para ir bem em uma dinâmica seria necessário demonstrar emoção, agir naturalmente, com espontaneidade. Sim, espontaneidade...ou talvez fosse impulsividade. E ao ouvir isso comecei a agir espontânea e impulsivamente enquanto questionava a ligação entre agir assim e ter as características necessárias para mediar qualquer situação. Enfim, foi neste cenário de desespero e gritos que me despertei hoje.
E não sei ao certo porque esta disfunção está tomando contornos quase incontroláveis...que tarde! (...) Já é noite. E resta um suspirinho de indagações e um tanto de assuntos e pensamentos pendentes. Poderia quedar-me envolva por um invólucro plástico ou por uma nova redoma de vidro (the bell jar..the bell jar!). Ou poderia fazer as coisas de uma forma diversa desta vez. Sim, esta idéia muito me apraz! Já não poucas vezes me deleitei (sim, deleitei) nos sentimentos de incompreensão, de dor, de vazio. Mas através da criação de uma melodia só minha entendo que será possível fazer diferente desta vez.
Na verdade, outrora refleti sobre a sensação de abuso perpassando tudo. Mas agora estou pensando que não é esta a questão. O ponto crucial seria, talvez, o medo do abandono, da rejeição. Isso se tornou bastante óbvio através das posturas dominantes que assumi no passado recente. Um comportamento quase de um general russo (daqueles que receberam treinamento soviético) controlando milimetricamente as possibilidades de não ter conversa, risotto e vinho antes de ir para casa.  Na verdade, este exemplo talvez tenha despontado a minha percepção comportamental de tanto tempo.
Continuo a afirmar que nada que se inicia traz consigo a promessa de um fim perfeito, mas a verdade é que não sei lidar com as possibilidades de finitude. Mas este fato também parece ser facilmente entendido quando se conhece minha história de vida.
As incertezas acompanharam praticamente todos os momentos, assim como as buscas em ser absolutamente agradável - e perfeita. Enfim, um objeto amável com constância. Apesar de todas as inconstâncias.  Abro parênteses: Sim, as inconstâncias me fizeram refém de alguns medos, de um coraçãozinho disparado ao ouvir a maçaneta se abrindo, de alguns comportamentos milimetricamente planejados. Não saber se no próximo momento seria eu a coisa preciosa ou o estorvo absoluto impôs alguns traços de personalidade marcantes. Para ser sincera participei deste jogo todo o tempo, mas nunca soube direito onde me encaixar entre todas estas oscilações. E ainda não sei. Às vezes questiono o amor. Ou seria a forma de se amar? Não sei.
Acho que isso é crescer. É entender que as coisas são como são. E isso basta. Basta compreender para que se possa mudar. Talvez não mudar uma situação em que somos sempre figurinistas, mas mudar as situações em que somos atores, as situações de uma vida que geramos, respirar após respirar. E ao compreender os flagelos e amores que cada qual traz em seu âmago compreendemos a beleza de viver. Por mais difícil que possa parecer ouvir a si mesmo, debater com seus pensamentos, seus atos incondicionados, sua forma de agir e pensar, refletir tem se mostrado ser, efetivamente, a melhor forma de crescer. E por isso sou grata a cada dorzinha que ecoa quando tento digerir um sentimento ou ato que, até então, se fazia automático. Como é lindo viver!!

(No telefone...)
O meu texto deveria continuar, mas a este ponto apenas tenho a dizer que é impagável sentir o viço de vida a transbordar meu ser. Obrigada a ti.  

5.2.10

Struggling (Dia 5 de fev.de 2010)




Da quando ho trovato la funzione shuffle del mio Sansa non sò mai quello che sentirò fra qualche minuti. Ma anche la vita sembra un po` cosi, non?
I am struggling. I must admit that truth...another time.
In fact it is just so awkward to be seeing faces that shall not be seen around this city, it is so awkward to go kissing cheeks on the wrong side, it is so awkward to think before saying excuse-me. É tão estranho….as coisas passam desapercebidas quase o tempo todo de consciência, mas nos momentos mais inusitados (distraídos) surge uma reflexão profunda antes de pedir “com licença”. Surge também uma confusão mental a respeito da primeira bochecha que deve ser beijada em um cumprimento. E seguem-se os dias.
Abro parênteses: Yes, I guess I am indeed messing up with them, S. Devo smettere di prendere queste medicine. Actually, yesterday I got into a funny incident when I needed to say out loud what I really needed doing at that moment…(Xiiiiiiiiiiiiiii, não diga!)…poor little listener of mine! Poor little me saying that out lout to my listener. And today I am also struggling with a bit of a back ache. Oh well…lasciamo perdere. Fecho parênteses.
This little (glued) heart of mine. Oh, little heart…oh glued thing!  At the moment “Indecision” could be my surname. Or confusion: for the very same matter of fact. To be honest I am having troubles to pick little things, to make simple decisions, to keep on focusing on the big picture. But I know it is a process, it is natural (after all……) and that things are getting more and more clear day by day. But that part that makes no sense in this big picture is the fact that I am absolutely convinced that one very specific thing worth being fought for. I could say that maybe it is because I have this glued heart and nothing is like once it was when you need to use glue to recover its shape. But also I could understand those thoughts as part of my well known obsession, the need to be absolutely committed to a cause, to a thought.
On the top of everything I keep on asking myself what I am looking for with that posture of mine. In fact, I could claim that I am just looking for living. And that is indeed more than a reason to keep walking towards that direction. But in the other hand, I am not sure if that is the calling for this situation….let’s see, I assume.
Sono tutti e due pazzi, ma parlano la stessa lingua, hanno una storia simile e magari riusciranno insieme a fare valere la pena. Una historia cosi non si butta via facilmente. Cosa me ne dice?  Sim, são ambos loucos, mas eles falam a mesma língua, têm uma história semelhante, e talvez tenham a capacidade de fazer tudo valer a pena. Memoravelmente.  

7.1.10

Epílogo do monólogo



Recentemente tenho pensado bastante sobre a diferença entre aqueles que estão mortos e aqueles com quem não mantemos quaisquer laços (mas que vivem). Não cheguei a nenhuma decisão resolutiva, mas devo dizer que já abandonei as linhas do pensamento após um pouco de centrada reflexão. Acontece que me pareceu não ter tanta diferença (prática), a não ser o fato que os vivos podem (eventualmente) manter qualquer diálogo, responder dúvidas, expressar as moções de seus pulsamentos. Já os falecidos nos deixam (sempre) com os meandros do monólogo.

Desde muito pequena me acostumei a criar cenários e falas. Situações perfeitamente articuladas. Com diálogos bem definidos, figurinos detalhados, em um cenário absolutamente descritível. E os anos se passaram e tal atributo não se esvaiu. Muito pelo contrário, possivelmente se tornou ainda mais elaborado.

Mas não raro os monólogos rodeiam os que são vida (aqui devo também me implicar). Mas não deveria ser assim...muitas vezes. Porque em um sopro (puff!) tudo se esvai. E restam as lágrimas (novamente, mas desta vez inconsoláveis), a dor e os monólogos mentais.

Talvez o silêncio não devesse se fazer tão constante. Talvez devesse. Na verdade eu arrisco a dizer que os silêncios, por si só, podem ser até bastante aprazíveis; mas se os silêncios existem ao passo em que monólogos mentais são construídos, certeiro é que algo carece de tintura de iodo. Uma operação delicada de exposição deve ser criada. E por este motivo os diálogos se tornam praticamente mandatórios. E causam a redenção daqueles que viviam submersos em monólogos.         

 

Ruth 3:18 em 07.01.2010, 3:12.



Engraçado. Em um dos pesadelos que tive ano passado (talvez o pior de todos, vez que acordei gemendo e em lágrimas em um quarto com outras duas pessoas) o telefone tocou duas vezes. E a voz do outro lado não era aquela que eu buscava. Pânico. Dor. Lágrimas. Não foi por pouco que quase deixei de ir para Polônia. Questionei sobre a volta para casa. Não era nem mesmo a Páscoa.

Ironia. Em uma ligação no meio da noite da primeira semana de janeiro a voz do outro lado me entrega (derrama) nome de assento de banco de ônibus de Torino. Uma realidade quase Kafkaniana. Seria um pesadelo distorcido, bem possivelmente. O telefone a tocar duas vezes. O telefone atendido. Uma explicação que não se faria necessária caso não fosse orquestrada (chicoteada) por alguém. Pitoresca cena.

Um X. O X da questão é que esta questão não tem X. Tudo parece tão subliminar (pesadelo) que beira o enlouquecimento de Ismália. Mas mal sabia Alphonsus que aquele desvario faria um sentido (quase poético!) na vida dos que não querem se perder entre a lua do céu e a lua do mar.  Eu continuo a amar Ismália, a pobre coitada presa na torre. 

E seguem-se as incongruências. Eu, vez outra, peço com licença. E para quem queria ouvir o adeus, bastava se adiantar. Mas não, parece que essa condição não seria fato. Ou ato. 

No meio desta noite não existe lágrima copiosa, lágrima incipiente ou qualquer reação do tipo. Não. Resta uma pontinha de um sentimento que cá não se deve fazer expresso. Além de uma humilhação que, se era parte da sinfonia (rodeio espanhol), jamais se concretizou. Sem mais.


Em PS cabe ressaltar que o pesadelo saiu pior que a encomenda. Assim, sem grandes surpresas para esta madrugada.
Em PPS dou um suspirinho. Uffa (em Italiano)!!
E para fechar (ouço o espanto e noticio um sorriso discreto no canto destes lábios) possivelmente amanhã o suspiro homônimo será dado em Português.

Senza titolo. Niente di più. 06 gennaio 2010.



Hoje me perguntaram se ainda gosto de você. Minha resposta, com olhares ao horizonte, foi que não acho que jamais gostarei de alguém assim. Indeed, I did say I do. Not that it changes anything. The real truth is that I messed up, you messed up and it is all far away past. But I am fully aware that I keep messing up every single moment in which I even care about replying to such questions or to rationalize such feelings.



Not that love is suppose to fade; nor that this kind of feelings is the one and only manifestation of love. No, not at all. Not that you are perfect (or for the sake of my argument, were perfect), not that you cared about me better than anyone else, not that you fulfill my dreams, not that you share my thoughts. But for some uncountable reasons you kept your place. (And the bells rise in a symphony: Silly C, silly C..).



Could it be diverse: Maybe. Maybe the entire path could have been diferent. So many maybes. Maybe one could be alive, maybe one could be near, maybe one could be none, maybe the eyes could have seen more and the heart have felt less. Maybe... Maybe one day there would not be you standing with that white shirt of yours seting all my breakable belongings while I was being the most annoying of all the superfecial creatures ever. But you were. And you felt for me. And from that moment on all the things were damned to be the way they are nowadays...or maybe not. Maybe we did screwed them up in a way they shouldn´t have been.



In any case, enquanto tento racionalizar o que não tem razão eu me torno um ambulante soco no estômago. E ainda devo ressaltar que jamais chego a ponto algum com tais interpretações. Sim, tudo isso sequer parece fazer sentido. Time passed by and one moves on. Curso natural das coisas. You did.(...)


E mais um dia se esvai. E que venha outro!! Porque nada melhor do que um pouco de curry para variar o paladar. Além do mais, se da pimenta e da canela restam permanentemente as memórias do passado, nada como um novo sabor para temperar os meandros da vida no presente e no futuro.



E em um cantinho discreto remanerá a sua essência (bom, ao menos a essência do que fomos. E talvez um pouquinho daquela do que não fomos também.) E mais dia menos dia estes textos se esvairão. 


E você, sempiternamente, poderá saber que deste sentimento não creio que jamais experimentarei. Quiça algo travolgente. Mas isso outra volta. Fino a adesso ho già detto tutto che c'e per dire. E basta. 

6.1.10

29 de dezembro de 2009.



Esta palavra de ordem, mascarada em atos e não atos, tem me deixado às beiras de um ataque insano.
Esta palavra, que tem ruídos de continuação e de imobilidade, tem carapuceado minhas forças. Mas se fosse por pura inércia não seria por falta de amor, Um amor puro, um amor egoístico, um amor protetor extremista. Minha nova luta vem a ser travada contra esta palavra com cacarejar de roldanas e pregos que não cumprem outra função senão a função estática a que foram concebidos para cumprir. Mas a realidade, nua e cega, faz com que meus pulsos sintam a necessidade de atropelar esta constantidade - Se é que constantidade se faz palavra!
Mas, de inércia, digo um último adeus. E agora com licança, devo começar um novo passo.  

29.11.09



Dois dias atrás tive outro daqueles pesadelos. Não sei a razão, mas de tempos em tempos eles aparecem. E me deixam um pouco desnorteada, bastante dolorida, um bocado magoada. Este ano isso aconteceu algumas vezes. Antes de alguns momentos importantes, em dias alheios, quando nem mesmo penso mais sobre o assunto. É algo absolutamente vívido, estranho. Como se sequer fossem pesadelos, mas sim o simples reviver do passado. Dói, corroi. Estes fantasmas já deviam ter ido embora. Ficado distantes no tempo, no espaço, distante de mim. Mas não. Continuam a me assombrar, de tempos em tempos, enquanto durmo. Não sei o que mais posso fazer para me livrar deles. Mas certamente descobrirei. E, quando isso acontecer, todos os traços que de tempos em tempos me atacam quando durmo, todos os "ois" em bachecas, todas as fragilidades e inseguranças, todas as falsas brincadeiras de casinha perderão o sentido. E restará apenas uma vaga lembrança de alguma coisa pretérita. E por algum motivo parece que não precisarei de muito para tanto...........magari l'altro ieri è stato l´ultima volta...Mi raccomando.

29.9.09

Sobre listas...sobre o AMOR.



Poderia eu tecer linhas e listas sobre razões mil para quedar-me onde estou. Poderia, ao mesmo tempo, redigir teorias e traçar listas outras sobre os motivos que me impulsionam a caminhar. Poderia repetir o mesmo discurso que sustento a cada dia; poderia fechar os meus olhos e tatear os meandros desconhecidos sem muito saber por onde passar. Abro parênteses: essa coisa de meandros de olhos fechados me pareceu absolutamente sensacional neste átimo! Fecho parênteses. Poderia redigir algo sobre a falta de aprendizados, sobre o silêncio (mais uma vez poderia falar sobre isso); mas também poderia - com muita propriedade - escrever sobre esse tempo de confiança absoluta. Uma introspectiva que faz crescer - na verdade, aqui arriscaria dizer até mais: uma introspectiva que faz crescer mais do que jamais se cresceu até hoje. Confiança absoluta. Maravilhosa confiança. Provisão constante.

Em um burburinho de paz sou transportada para aquele cantinho quentinho...cantinho que - agora entendo eu! - sequer possui um nome, sequer possui uma jurisdição. Precisar ser enviada para uma situação praticamente insípita para poder provar os sabores é algo, no mínimo, incrivelmente interessante. Poderia dizer indescritível.

E, no mais, as listas de sim e não, de pros & cons, de amores e saudades poderiam ser criadas. Ou não. Simplesmente porque nada muda o fato de que não importa muito o nome, o dia, a cor, o formato...apenas importa o conteúdo. E este se chama AMOR. Sem medo. Sem inadequações. Sem erros. Sem qualquer problema que não possa ser superado, que não possa ser resolvido. Porque sem AMOR nada vale a pena. Mas com AMOR qualquer lista, qualquer incerteza, qualquer movimento, qualquer meandro, qualquer tudo perde o sentido. E que assim seja....porque sem AMOR nada sou.

24.9.09

Laços



Não sei bem o porquê mas sempre gostei de laços. Laços de todas as formas, de todas as cores, tamanhos, motivos. Laços em roupas, sapatos, calçados, cortinas. Laços em desenhos de escola, vestidos de bonecas, meias, calcinhas ou tiaras. Fianca. A única palavra que sei falar em árabe não poderia ser outra.


Eu não sei bem porque essa analogia, porque este pensamento logo antes de virar o dia. Apenas sei que a vida minha pode bem ser assim...como um laço. Por vezes um laço bem centrado, por outras um pouco desfeito. Algumas vezes preciso de ajuda para fazê-lo,de uma opinião sobre o seu estado. Um laço pode ficar meio torto, ter uma ponta maior que a outra, cair meio sem graça ou ser absolutamente fabuloso. Estes são admiráveis! Como momentos temperados com uma especiaria que não se explica...um pouco de curry, um tempero árabe ou algo que não se pronuncia. Um laço bem dado requer um nó bem calculado, dedos ágeis, um pouco de determinação. Para se chegar ao belo e pomposo resultado bastante treino pode ajudar. Um pouco de um bom dote e uma fita bem estável, porém sempre boa para ser trabalhada também ajudam. Bastante. 


Confesso que criar laços pode ser um pouco demais quando se acorda tarde, quanto se está atrasado. A decisão de montar um laço pode terminar na criação de apenas um nó - por decisão consciente ou não. Um belo laço pode ser reconhecido por muitos. Pode ser admirado, pode servir de influência. Mas um laço sem graça não cumpre seu propósito. Fica aquela sensação de que nem deveria estar ali. Laço feio, malfeito, sem graça.


Minha mãe colocava laços de fita em mim quando tinha a minha idade. Eu dou laço em livros, em presentes, em sonhos e em determinações. Meus laços de infância não são hoje muito parecidos com os que eu treinei. Treinei tanto no laço da cortina, no laço da boneca. Mas, confesso, sinto às vezes, que meus laços guardam em si o potencial de serem, dia após dia, melhores. Sobre um nó bem centrado e firme, com as pontas absolutamente simétricas e alinhadas, com as curvas bem feitas, com aquele aspecto que apenas um laço bem feito pode causar...um suspiro, um risinho, um olhar de admiração.


Hoje, usando apenas uma mão, faço um laço e embalo tudo o que construí até então; e com a outra eu o entrego e o deixo ser desfeito, desmanchando sua inexatidão, seus receios, seus recatos e tenros medos. Com o meu laço entregue e desfeito deixo sair a C. de agora e crio  o momento de ser feito um novo laço: mais belo, mais repleto, mais saudável, mais feliz. Um laço que guarda em si um universo, uma fita exata para ser permanentemente trabalhada no seu fazer e desfazer. Um laço verdadeiramente temperado, que enche os olhos de quem o vê, de quem o elogia, de quem o tocará ,de quem o criou e possui. Um laço que cumpre sua função de laço e que não poderia, jamais, ser diverso do que sempre foi.


4.7.09

Notícias (16.06.2009)



Estou bem. Aqui está fazendo um calor insuportável. Estou usando esmalte rosa. Estou escrevendo meu trabalho final - e isso é estressante. A casa continua uma loucura. Meu cabelo cresceu muito. Enquanto esperava o ônibus um dia destes me assentei entre um senhor e uma senhora e ouvi os dois discutindo sobre as polêmicas festas do Berlusconi (ele defendendo. Ela criticando). O senhor se foi e a senhora ficou a reclamar comigo sobre a opinião dele. Ontem comprei legumes, alho e óleo pela primeira vez. Sobre a “família dos verdes” devo dizer que antes tinha comprado apenas saladas. Ontem fiz arroz e legumes. Hoje cozinhei um gnocchi especial, com cogumelo, salsa e tudo mais. Estou curtindo esta coisa de cozinhar como gente grande. Estou devendo emails para todo mundo. Desculpem!! Estou lendo 3 livros de literatura. Fiz um cantinho com os cartões postais e cartinhas lindas que recebi. Estou ouvindo música Polaca enquanto escrevo para vocês. Ainda não fui ao culto em Italiano. Desenvolvi uma grande paixão por meias. Meias dos mais diversos tipos, modelos e cores. Substituí o consumo de arroz por queijo. Penso e sonho em Inglês. Quando escuto ou falo Italiano continuo a ter a impressão de que é Português. Tenho que comprar água todos os dias. Não tem bebedouros por aqui. Tenho saudades de coisas prosaicas. Tenho saudades de coisas que jamais imaginei que pudesse ter. Ontem senti falta do pé de limão de Florestal. Sinto falta de ouvir meu celular tocando o tempo todo, de ligar para conversar de graça com meus amigos. Sinto falta das noites quintanas, do Ballet, do Spinning. Dos almoços no Diamond. Sinto falta das sessões de filme, das sessões de seriados. Saudades da vovó. Saudades dos irmãos lindos, dos pais-inspiração. Da família, dos primos, dos amigos. Amigos benzênicos, amigas de anel, amigas de cookies, de Tribunais, de Brumário. Primas grandes, primos pequeninos. Conheci um menino de 21 anos, um de 22 e um de “quase 24” - todos jogam futebol e em 3 momentos diferentes. Fiquei a me perguntar se me contavam mil detalhes sobre futebol porque sou Brasileira. Dizem que tenho cara de muito novinha. Ontem achei um cabelo branco na minha cabeça. Fui a um jantar em que me serviram ravioli de coelho (Imaginem a saia justa!). Por aqui virei Carrr, Carline, Princess, Carolina, Carla Patrícia e Pam. Pam foi escolhido por mim, numa busca por um nome que guarde em si a ausência de mais perguntas. Uma tentativa de se evitar novos interesses, novas indagações. Sou Pam, vendedora de sapatos da Aldo de Madison. Fede é Kim de Laguna Beach. E por ai vai. Jamais usamos os nomes com outras pessoas. Sempre que vejo criancinhas fofas na rua imagino que poderia pegá-las todas emprestadas. Reticências. Conheci algumas pessoas muito bacanas. Reencontrei amigos queridos de outrora...de Yale, de Madison. Discuti sobre o significado da vida, sobre os constantes “até logo”. Aqui peço licença para usar as reticências e deixar o assunto no ar. Ganhei muitos presentes fofos aqui. Pulseira da Índia, meias, chocolates da Suíça, dois pares de sapatos novos, esmaltes, etc. Comprei alguns livros. Assisti alguns filmes. Eu já me acostumei com a cidade, com os horários. Tenho saudades.

Life (16.06.2009)



Sometimes I wonder about my choices so far. Sometimes I wonder about the places I have been sent to, the places I will be sent to.

Each new book, each new color, each new season, each new holiday. Each new word, each new conversation. No matter where. No matter when. No matter in which language.

Everything encompasses an entire new world, day by day.

But at the same time everything new brings memories from the past, brings smells and flavors that can`t be experimented anymore. At least not as the same way as before.

Before I wrote about people that changed my life in magnificent ways. And I stressed out that some of them don`t even know that they helped on building my character. This year I had the chance to create new whispers of life with some of them. This year I met friends from before, I met friends from Yale, from Madison. This year I met a friend I wished to meet for so many years (and it was worth waiting for that meeting). I visited places I have never been. I had to deal with things, people and feelings I never wished to deal with.

This year I faced myself sick of goodbyes; I faced myself saying goodbye once more 10 days after. This year I thought about how hard it is to come back home, but I left home again. This year I face myself wondering about things in a diverse way than before and that would be probably sufficient to make me different. Somehow.

This year I keep on believing that everything is possible. I keep having faith. I keep being myself. This year life is passing fast. Slow. This year encompasses the reality of life. Breath after breath. And I am really thankful for everything.

Sei que/ I know (June 5, 2009) Port./Eng.



Sei que vou me arrepender. Arrepender-me-ei por estas lágrimas, por estas linhas, por estes sentimentos. Sei que me arrependerei por ter segurado por tanto tempo tamanha dor, tamanha rejeição. Acredito ainda que me arrependerei se te mostrar estas linhas, se publicá-las. Mas não quero jamais me arrepender pelo que disse, pelo tanto que lutei. Estou cônscia da contradição que esta introdução traz consigo, mas o que digo?

Por agora pareço permanecer como um jardim cerrado. Inatingível. Aparentemente a redoma que construí anos atrás se tornou algo vivo. A proteção acabou se tornando um muro, um verdadeiro impedimento.

Para atravessar ao meu jardim parece imperioso conquistar a chave do meu coração. Raros momentos imagino ver – ou ter visto – isso acontecer. Mas na realidade o portão permanece fechado. Constantemente. Serenamente.

Dizem que tenho carinha de novinha. Por vezes diversas me imagino inacreditavelmente velha.

Dizem que sou bela. Por vezes tantas me imagino inacreditavelmente grande. E o efeito disso não pode ser facilmente imaginado por ninguém que me conhece.

Dizem que sou inteligente. Por vezes me imagino terrivelmente incompetente. Outras vezes chego a me questionar a razão de ter empregado tanto tempo e esforço com o conhecimento. Por vezes me debato com o pensamento de que quisera eu ter empregado meu tempo com coisas mais corriqueiras, com relações interpessoais, com coisas da vida.

Dizem muito. Dizem nada. O silêncio tem ultrapassado as palavras ultimamente. Raramente escuto os sons alheios. Os olhares parecem constantemente me perseguir, mas as palavras não são jamais ditas.

Eu continuo aguardando o gesto grandioso. Quase como um milagre. Pelo menos imagino que continuo a aguardá-lo. Mas para ser bastante sincera parece que não aguardo coisa alguma. Simplesmente porque não resta qualquer esperança real de que tal gesto vá ocorrer. Ou mesmo de que tal coisa exista.

Os dias passam. Os momentos são belos. Ou são sozinhos. Ou são belos mas vazios. Porque quando não se compartilha não existe beleza suprema. Aqui abro parênteses para dizer que me questiono inclusive se existe qualquer beleza quando não se compartilha. E fecho parênteses com reticências.

No momento posso dizer que as lágrimas já se secaram. Posso também dizer que imaginei que ficaria pior ao ouvir tais coisas. Ou posso dizer que o estado em que vivo atualmente não se permeia por fantasias, super-sonhos; mas também não se faz de niilismo. Ousaria dizer que meu estado de ânimo atual é uma mistura (praticamente insana) de um vazio (aqui também chamado solidão), de um grande silêncio, de um pouco de sonhos não concretizados (ainda) e da análise (quase constante) sobre a realização destes mesmos sonhos por pessoas queridas – ou por estranhos na rua.

No momento posso ainda dizer que não ter um plano é algo absurdamente novo e amedrontador. Sequer me recordo de já ter passado por isso. Mas uma coisa tenho como boa. Tenho, neste segundo, a felicidade de saber que estou bem ao ouvir tais palavras. De alguma forma (estranha forma) estou bem. Não me debato. Não perdi o meu sono, não estou deitada no chão. Sequer tive que me levantar da cama para lavar o rosto, tomar um ar, tentar pegar um rumo na vida. Não. Nada disso.

Estranhamente nada disso aconteceu. E o meu dia de amanhã continuará a ser vivido exatamente como o seria antes de ouvir tais linhas. E o próximo. E o outro, e o outro. Um dia após outro dia. E isso já me é motivo suficiente para acreditar que as coisas só tem a melhorar e a dar certo. Sem linhas de auto-ajuda. O que digo se baseia apenas no medo recorrente que me acompanha desde o último ano. O medo do retorno. Retorno para casa e retorno para a condição pretérita que tanto me abateu.

E vai que um dia eu esteja assim - como quem não quer nada! - com sonhos renovados, com planos antigos concretizados, com minha carinha de novinha, minha beleza, minha inteligência, meu jardim aberto. E com nenhum silêncio. Porque o silêncio não me apraz.

Mas por hoje me vou para cama. Porque “beuty sleeps”.

02.05am – dia 05.06.2009 (já sexta-feira)

Escrito após ouvir resposta para 2 perguntas feitas pelo telefone. Não acredito que destas 2 perguntas surgirão perguntas futuras.

I know I will regret. I will regret for these tears, for these lines, for these feelings. I am sure I will regret that I have insured for so long such pain, such rejection. I will also regret if I show you these lines, if I publish them. But I do not ever want to regret for what I said, for what I really fought. I am aware of the contradiction that this introduction contains, but what can I say?


For now I seem to remain as a closed garden. Unattainable. Apparently the bell jar which I built years ago has become something alive. The protection became a wall, a real impediment.


To cross to my garden seems imperative to gain the key to my heart. Rare moments I imagine to see – or to have seen - that happening. For in fact the gate remains closed. Constantly. Quietly.

People say that I look young. Sometimes I imagine myself incredibly old.


People say that I'm beautiful. Sometimes I imagine myself being incredibly big. And the effect that it produces on me cannot be easily imagined by anyone who knows me.


People say that I'm smart. Sometimes I imagine myself as being terribly incompetent. Sometimes I ask myself the reason to have spent such amount of time and effort with the knowledge. Sometimes I face myself with the thought that I would like to have used my time with daily things, with interpersonal relationships, with prosaic life things.


People say much. People say nothing. The silence has surpassed the words lately. I rarely hear the sounds outside. The eyes still seem to constantly harass me, but words are never said.

I keep waiting for the grand gesture. Almost like a miracle. At least I imagine that I am still awaiting it. But to be quite honest it seems that I am not expecting anything. Simply because there is no real hope that this gesture will occur. Or even that such a thing exists.

The days pass. The moments are beautiful. Or are alone. Or are beautiful but empty. Because when not shared there is no supreme beauty. Here I open parenthesis to say that I even question whether there is any beauty when you do not share. And I close my parenthesis with reluctance.


At the moment I can say that the tears have already dried. I can also say that I thought it would be worse to hear such things. Or I can say that the state in which I live now is not permeated for costumes, super-dreams; but it is not of nihilism neither. I would dare say that my state of mind today is a mixture (almost insane) of an emptiness (here also called solitude), a great silence, a bit of dreams not realized (yet) and the analysis (almost constant) on the fulfillment of those dreams by some dear people – or even by strangers on the street.


At the moment I can say that not having a plan is something absolutely new and scary. I don’t even remember passing through something like that. But there is one thing I must say that is good. I have at this same second, the happiness to know that I am doing good after hearing such words. Somehow (on a weird way) I'm fine. I am not struggling. I didn’t lose my sleep, I am not lying on the floor. I didn’t even had to get out of bed to wash the face, to take a breath, or try to pick a direction in life. No. Nothing.


Strangely none of this happened. And my day of tomorrow will be spent exactly as it would be before I heard such words. And the next. And the other, and the other. One day after another. And that is already enough reason for me to believe that things will only get better and really work out. And those lines are far away from being self-help lines. And what I say is based only on the fear that is accompanying me since last year. The fear of the return. Return to home and return to the past condition that I experienced.


And one day I may be – sweetly may be! - built with renewed dreams, with the old plans realized, with my young look, my beauty, my smartness, and with my garden open. And without any silence. Because the silence is not quite enjoyed by me.

But for tonight I am just going to bed. Because "beuty sleeps."



02.05am - Day 05.06.2009 (now Friday)
Response written after listening the answers for 2 questions (on the phone). I do not believe that from those 2 questions further questions will be raised.