23.2.14

Salvação e textos.


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Recentemente, ela confidenciou que estava preocupada com o paradeiro das suas palavras escritas. Ela queria entender onde estavam os seus frequentes textos. Isso após, deliberadamente, ter resolvido que era hora de voltar a redigi-los. 

Abro parênteses para transcrever seus termos: Nada mais especial do que sentar-se a uma mesa diversa e ouvir, no seu âmago, o som das palavras que querem ser vida. Sim, parece que a fase do silêncio é terminada, minha cara! Fecho parênteses. 

Ela acredita que as mulheres esperam ser salvas. Com essa concepção, ela já me explicou diversas vezes o sucesso dos príncipes de contos de fadas, a importância dos valentões. Ela argumenta que, mesmo inconscientemente, o que uma mulher quer em um relacionamento é ser salva. Eu já lhe disse que isso não pode ser tão verdadeiro. Nem universal. Mas não importa. Vez por outra tenho que ouvi-la, novamente, com essa teoria. 

Há pouco, em uma fala rápida, marcada por uma quantidade de energia que sequer sei de onde pode ter vindo, ela me contou que acredita que possui a prova da busca incessante da alma feminina pela salvação -- a sua salvação provida por um homem. 

Ela relatou que, um dia, um homem tentou ajudá-la. Era um dia fatídico, o pior dos piores. Naquele dia ela não podia compreender absolutamente nada, mas ele esteve ali. Ao seu lado. E, desde então, parece que as coisas mudaram dentro dela. Vez por outra, pensa na salvação que ele lhe dispensou  -- e isso faz com que tudo tenha sentido. Cria uma razão no coração dela. Uma explicação para a sua teoria de salvação. E faz com que tudo fique mais simples, mais categorizado. 

Eu confesso que não sei ao certo o que a levou a pensar essas coisas. Também não compreendo a relevância de tais pensamentos. Desconfio, ainda, que nenhuma parte disso faz sentido. Mas, esta noite, reservei-me ao direito de apenas ouvi-la falando. Aquela fala rápida, vigorosa e precisa. 

Gosto quando ela é efusiva, quando sabe onde vai, o que faz. Gosto quando ela tenta me provar que tudo está a fazer sentido. Gosto quando ela está saltitante por aí a desfilar teorias -- mesmo as mais obscenamente absurdas. E é por tudo isso que celebrei com ela a volta de suas palavras, o retorno de seus textos. Mesmo que ainda seja algo incipiente e de duvidosa precisão. Pouco importa. Essa noite, nada que vá além da (pueril) felicidade dela importa.           



Dia 10 de fevereiro 2014



Estranho. 






Antes daquele dia eu não me lembro de ter sentido as pernas bambas. Mas, desde então, isso ocorre com alguma frequência. 


12.1.14

A liberdade e o caminho.





A caminhada desta noite me fez perceber que eu conecto a liberdade com os passos. Refiro-me aqui especificamente aos passos certeiros, firmes, mas sem horários, sem medidas determinadas. Trata-se daquele caminhar despretensioso, aquele que faço com uma intensidade só minha, que traço sozinha. 

Há muito tempo estou cônscia de que gosto de caminhar, de poder resolver minhas coisas andando, de fazer tudo o que preciso sem ter que usar outros meios que não os passos -- os meus passos. Mas geralmente eu me atenho aos detalhes cronometrados quando estou a caminhar para as minhas atividades cotidianas. Sei precisamente quanto tempo levo de um ponto ao outro, a intensidade que as passadas devem ter. Quando eu estudava em Madison (WI), por exemplo, eu sabia exatamente o número de passos do meu prédio até a faculdade. E os minutos que elas me tomavam, por óbvio.  

A época em que eu fiz as mais constantes e intensas caminhadas foi quando estava na Itália. Eram 7 km por dia, em uma passada bem firme e determinada. Eu tinha hora para sair de casa, tempo praticamente exato para chegar ao destino e um sapato reservado aos longos passos. Naquele tempo eu tinha uma companheira incrível para as caminhadas diárias. Discutíamos um mundo de temas, ríamos do mesmo senhor sem limites a nos paquerar diariamente no nosso caminho -- apesar de o ignorarmos permanentemente, e nos atentávamos a algumas pessoas que estavam sempre no nosso trajeto. Dia após dia. Mas os nossos passos, como disse, mantinham uma velocidade marcada, uma intensidade ritmada. Até um certo ponto, o ponto da pausa para brincar com o cachorro fofo que morava em um estabelecimento em que passávamos na porta. Um cachorro lindo, que nos fazia ficar triste por vê-lo tão só, e que me deixava com saudades do meu Yuki, que estava do outro lado do oceano.  


                            Era com ele que sempre parávamos para brincar. 

Os momentos em que estou movimentando, seguindo os meus próprios trajetos e respeitando tão somente o meu ritmo, marcam em minha alma uma realização quase palpável. É um contentamento. E é exatamente por tudo isso que tenho certeza que devo manter (e intensificar) os passos que me levam aos locais em que quero chegar e que me arrebatam com uma sensação de felicidade e de liberdade.

Sobre a dor e a não escrita em 2013.




No ano de 2013 não escrevi praticamente nada. Não no blog, não em folhas pessoais, não em cartas. Na verdade, os atos de refletir e de escrever sempre estiveram intimamente ligados na minha vida. Eu sempre consegui pensar melhor, expressar meus sentimentos e entendê-los por meio das minhas palavras escritas. Desde novinha, quando queria compreender o que se passava no mundo ou no meu interior, eu pagava uma folha e escrevia. E tenho um amontoado de páginas e mais páginas com estes registros guardados. Palavras que formam relatos e histórias felizes, tristes, poéticas, com sentido, aleatórias... 

Ainda não sei se quero falar muito, se quero analisar muito. Ao refletir muito sobre as coisas que se passaram e que transformaram a minha vida e minhas concepções de uma forma drástica e permanente, sinto dor. Uma dor que não tem limites e que não se explica. E não sei lidar com tanta dor. Sinto muito! 

Talvez tenha sido para tentar evitar lidar com essa dor que eu não tenha escrito no ano que se passou. Talvez tenha sido para tentar fazer ela ir embora, para que nada tivesse acontecido. Uma vez que você escreve ou diz o que aconteceu ou o que sente, parece que tudo se torna mais real. E a realidade andou sendo extremamente cruel (to say the least!).  

Porém, estes dias fiquei a estranhar a ausência dos meus textos. Como o que eu sinto e penso sempre costuma ser marcado por palavras escritas, fiquei com a sensação de que o ano que se passou foi um hiato. Não que eu não tenha sentido ou pensado nada. Na verdade, eu nunca senti e refleti tanto na minha existência! 

A ausência de registros parece ser quase uma metáfora da minha vida no período: um vazio. Um vazio de palavras, um vazio de cores, um vazio dele. O ano que se passou foi infinitamente doloroso. E tenho certeza de que esta dor, a dor de saber que meu irmão está no céu e não mais aqui pertinho de nós, permanecerá. Mas o meu vazio de palavras não deve perdurar. Sei que hiatos são coisas que ele jamais quis para mim ou para aqueles que ele ama de forma sempiterna. E sei que palavras, reflexões, sonhos, atos e felicidade são cruciais. E é por tudo isso que eu quero ser autora das minhas palavras, dos meus sentimentos, do meu mundo. Para sempre. 
  

28.7.13

Maratona Literária 2013 - 29/07 e 04/08


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Eu cheguei aqui na Polônia com dois livros que eu queria muito ler - The truth about forever (Sarah Dessen) e Entre o agora e o nunca (J. A. Redmerski). Mas os dias passam e eu não avancei muito nas leituras.

A Maratona Literária ocorrerá essa semana no Brasil e, apesar de estar do outro lado do mundo, eu decidi participar. Nada mais óbvio para uma bookaholic, não? Mas é claro que não vou deixar de fazer qualquer coisa por aqui para terminar os livros. Eu me proponho a ler mais por dia - antes de dormir e talvez até mesmo de manhã. Espero terminar os dois livros nos próximos 7 dias. Quem sabe até mesmo não começo algum outro da estante linda da minha querida D.? =)



Atualização: no período da maratona terminei "Entre o agora e o nunca" e, posteriormente, terminei "The truth about forever". Realmente não abri mão de momentos preciosos de passeios com minha amiga para alcançar as metas da maratona literária. E não me arrependo dessa escolha! As leituras foram  ótimas e recomendo, especialmente, o livro da Sarah Dessen. 

2.7.13

Pés no chão e asas para voar.


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Nunca foi segredo que ela se sentisse com os pés mais no chão desde aquele doce dia. Ela fica a rir sozinha ao ver as mudanças na sua forma de agir, de pensar e de sonhar desde então. Ela fica a achar que isso era tudo o que ela sempre precisou. E assim seguem os dias dela: com os pés em terra firme. 

Mas hoje ela ousou me contar que por vezes teme que ela funcione melhor com asas infinitas. Aquelas asas que sempre a fizeram funcionar com uma obstinação (obtusa), com o olhar fixo na linha de chegada (no futuro). 

O que eu não sei ao certo se ela sabe é que o importante, verdadeiramente, é o caminhar. A estrada. Pouco importa passar os minutos ansiando pelos resultados se os esforços não forem percebidos como relevantes, como gratificantes. Pouco importa ter asas e não apreciar o voo até o destino, ao mesmo tempo que também pouco importa ter os pés no chão e esquecer-se de sonhar.

Eu queria ter tido coragem de dizer a ela o quão importante é ter asas longas e pés no chão. Viver um pouco dos dois mundos é, definitivamente, o melhor cenário possível. Poder caminhar certeiramente e poder, eventualmente, voar longe é impagável. Sair do chão, conhecer o céu. E saber voltar: ao seu lugar.         

6.6.13

Estrelinha sempiternamente amada.



Hoje o dia amanheceu frio e escuro. O sol parece ter sido decente o suficiente para não brilhar. Hoje completam 6 meses que estamos sem você ao nosso lado. Poderia dizer que são 60 anos. Ou mesmo 6 minutos. Acontece que o tempo passa de uma maneira muito singular desde aquele dia em que você foi morar no céu. A saudade faz com que o tempo se multiplique; já a dor faz com que o tempo não passe.
Sinto falta de você como de mim mesma. Mas sei que você está com Deus e que um dia estaremos todos juntos novamente. Eu te amo infinitamente!  

24.5.13

Sobre bolhas, piscinas e buscas.



A sensação é de estar dentro de uma bolha. Uma bolha de ar gigante, uma bolha de sabão. Ou então no fundo de uma piscina, no meio do mar bravio. Nada parece fazer muito sentido. 

A realidade tornou-se algo sobrecarregado de estranhezas. O dia-a-dia está a imiscuir-se de absurdos. E os pensamentos carregam uma carga de onírico que interpela a razão. Não sei ao certo o que fazer com tudo isso, como reagir a esses nada sutis atropelos da vida. 

Procuro, desesperadamente, maneiras de superar tudo isso. Procuro uma força absurda no decurso dos dias. Procuro um modo de "fazer sentido" de tudo isso. Procuro, ainda, uma forma de sair do fundo dessa piscina, de furar a bolha que me embrulha. Procuro a pertença. A felicidade, o contentamento.   

22.5.13

Importância...


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Talvez seja angústia. Talvez tenha outro nome. Mas isso não importa. O que importa é que com uma grande xícara de chá e um ou dois devaneios tudo se esvai. O que realmente importa é que aulas são assistidas, passos são dançados, planos são imaginados. Tudo o que é importante se resume em uma linha, em um canto de lábios a sorrir, em um espetáculo de Ballet russo na próxima sexta feira. Ou uma visita dos dois cachorrinhos no quarto. Importa saber que o mundo é grande, que nada é impossível, que basta fazer algo diverso para você ter o que nunca teve. Importa que o céu é o limite. E que ele não me limita em nada, pois o destino último que almejo é bem este: o céu.  Sem limites, sigo então em busca da felicidade. Sigo buscando pedacinhos de céu na terra, no dia-a-dia, nos meus sonhos e nos meus atos. Sigo me desvencilhando de torturas, de angústias, de medos e de limitações. Sigo deixando para trás dores e estigmas. Abandono tudo o que, em resumo, não importa, e assim sigo firme determinando passos bem traçados, bem importantes. Os meus passos.  

21.5.13

Please


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Please hold my hands tight. Please make me aware that the words coming from your mouth have a real meaning. A permanent meaning. Please be tender. And take care of my heart. Please dry my tears. And remind me that I am special and unique, as for now I am tending to believe there are only broken glasses, broken pieces, broken trees. And a broken heart: mine. Right now I am tending to believe there is too much pain around (and inside). I am scared. I wonder about the uncertainty, about everything. Please hug me the tighter you can and whisper in my ears that everything will be alright. Do so, please! Because you are the one and only one who can make that for me, who can save me. And I love you for that. And for everything else.  
  
05.21.2013

10.1.13

Estrelinha



Meu amor, 

Eu sinto saudades de você. A cada segundo, a cada batida do meu coração. Por vezes eu fico a andar pela casa observando seus detalhes, focando nas lembranças. É muito triste não te ter mais aqui ao nosso lado, falando alto, rindo, contando seus casos-sem-resumo. Fico a lembrar dos seus pés, das suas mãos, de você todo. Eu sinto saudades de ouvir você tocar aquela música de sempre no violão, de ter que pedir para você fazer menos barulho para que eu pudesse dormir. Sinto até mesmo saudades das vezes em que você me acordou de madrugada, ao me ligar no celular, para que eu pudesse abrir a porta da sala para você. Tomo banho com a porta aberta e com a nostalgia de te ter entrando no banheiro e conversando animadamente comigo. Sinto falta de te abraçar, de te ver, de te tocar, de ouvir sua voz, de te saber presente e perto. Sinto falta de te dar chocolates - só para depois te pedir de volta. Sinto sua falta em mim como uma falta de mim mesma.  

Eu te amo infinitamente e te admiro sempiternamente. Você é um irmão sem igual, um exemplo de vida! 

Beijos e até breve! 
Estaremos todos juntos, aí no céu! 

Cati 

~10.01.2013~

5.12.12

Hoje




Do alto dessa cobertura eu ouço os sons de músicas e risadas animadas de uma festa qualquer. Eu não conheço os motivos ou os personagens desse evento barulhento. Sequer sei precisar de onde tais sons ecoam. Entretanto, tenho certeza de que eu queria estar lá. Nessa festa que ocorre agora, em todas que ocorreram na minha vida e nas que ocorrem por aí -- e que sequer me pertencem.

Eu consigo ver meu corpo se balançando nos altos saltos que adornam os meus pés. Sim, os saltos altos que te faziam dizer que minha altura se exagerava ao seu lado. Os saltos que te faziam jurar que eram os devidos para andar no frio. Os saltos que me deixavam encantada, que faziam com que me sentisse encanto. 

E eu dançaria, incessantemente, ao ritmo da música. E não me importaria se você afirmasse que esses sons sequer são músicas. Ou se você insistisse para que eu usasse esmaltes de outra cor ou pedisse que eu fizesse passos para músicas Venezuelanas ou sei lá o que. Eu me acabaria na liberdade de uma noite bem dançada, de uma festa bem aproveitada.

E eu chegaria em casa com um rubor bem meu, dormiria ao lado de uma pelúcia qualquer e saberia que no dia seguinte – assim como em todos os demais – eu poderia fazer o que fosse necessário para alcançar meus objetivos, para realizar os meus sonhos.

Hoje eu tenho dúvidas. Não consigo ao certo saber onde foram parar tantos sonhos bem sonhados, tanta força bem direcionada.

Hoje meus pés gostam mais de sapatilhas e meu corpo prefere as noites carregadas de bons filmes e jantares. Hoje eu sei o que é o amor com suavidade, o amor com maturidade. Hoje eu não mais tenho medo de ser impulsionada a largar tudo por aquele sonho da criança estranha que fui -- aquela que queria falar húngaro.

Hoje eu sei muito bem onde eu quero ficar. Mas o lugar onde quero estar tem que ter as gargalhadas das festas que eu fui. Tem que ter a segurança de que a minha cama estará lá a me aguardar no final do dia. Tem que ter um balanço no quintal. Ou um banco. Ou sequer um meio fio. Qualquer coisa que possa me fazer saber que tenho onde parar para refletir. Ou para conversar. O lugar onde eu quero estar guarda a possibilidade que eu descubra a resposta para as dúvidas que tenho hoje e que encontre os meus sonhos. O lugar onde eu acredito que pertenço tem o poder de me trazer de volta para aquilo que fui e de me levar para o que serei. 

1.12.12

Resenha: "A escolha" (Nicholas Sparks)


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"A escolha" foi o primeiro livro de Nicholas Sparks que li. Eu recebi o livro para ler e resenhar através do booktour promovido pelo blog da super fofa Endry. Foi o meu primeiro booktour e amei a experiência! *Obrigada, querida!* 


O livro conta a história de Travis e Gabby, dois vizinhos com personalidades bem diversas, mas apaixonados por cachorros. Na verdade, a história toda se desenrola a partir dos bichinhos (mas não vou detalhar como, para evitar spoilers). Os personagens principais são muito bem construídos e não tem como não gostar deles. Gabby é bem controlada, faz o tipo certinha. Já Travis gosta de uma aventura, do imprevisível. Mas devo confessar que a personagem que mais gostei do livro foi Stephanie, a irmã inteligente, cheia de vida e de ótimas tiradas de Travis.        


O livro é repleto de reviravoltas e eu, como boa curiosa que sou, entrei em um ritmo frenético de leitura para ver se chegava logo ao final da história. Mas já vou logo dizendo: valeu a pena aguardar cada linha para ver onde tudo iria chegar!  :)


Durante toda a leitura eu fiquei com a impressão de que Sparks permeou o prosaico com um toque de conto de fadas para criar "A escolha". Para quem gosta de uma leitura leve e bem apaixonante, o livro é ideal!   


1.10.12

Hoje



Hoje eu acordei dispersa. Aquela dispersão gélida, que fica a congelar seus membros todos, a cantar vitórias sobre os compromissos do seu dia. Hoje eu acordei distante. Distante de ti, distante de mim. Hoje eu acordei com retoques de um apertinho de ontem, com um embargo sem sentido. Hoje eu acordei querendo colo. Colo que aquece e derrete toda a dispersão siberiana, colo que me torna única. Hoje acordei espinhenta. Possivelmente macularia a inigualável maciez do teu abraço cálido com lágrimas torrenciais. Sinto tanto por tudo isso.      

Tic tac ...


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Em alguns momentos o tempo insiste em se fazer diverso. Basta olhar para o lado e lá vem ele, fugaz, querendo derrubar qualquer resquício de doce memória ou de incongruência. Mas com um sorriso apenas, com um brilho no canto dos lábios, ou mesmo com um farfalhar de borboleta, eu me torno capaz de fazer o tempo parar. E nesses momentos, com contornos de epifania e de eternidade, eu faço do meu tempo o mais sublime do mundo, o mais memorável.

Hoje as horas passam felizes, me fazem guardar com força as reminiscências de cada detalhe. Hoje o relógio bate forte e me faz antever as grandes doçuras do mundo, todos os sonhos que ainda hei de sonhar. Hoje as horas me lembram que são preciosas, que são sempre únicas e que eu devo fazer delas um infinito azul. Também hoje, eu insisto em lembrar que devo muito agradecer, devo muito rodopiar e cantarolar. Hoje a vida lá fora me faz recordar que tenho novas possibilidades, que guardo do passado o que faço ficar e que guardarei do futuro o que ousar realizar. Hoje tenho nos dedos as horas que este dia me proporciona, na cintura uma saia pronta a esvoaçar e levo nas pernas a branca meia com rendas de princesa. No olhar eu levo a doçura do foco que apenas decidi almejar e, na ponta dos pés, os passos prontos a trilhar. Apenas. 

(Escrito em 06/09/2012, um lindo e perfeito dia para celebrar!)

1.8.12

Manifesto


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Aproveitei esta manhã para me lavar com alvejante. Quero retirar de meu ser toda essa reminiscência de problema alheio que teima em se alojar em minha pele. Eu desejo sair do limbo entre as infantilidades dos demais e as minhas próprias vísceras. Eu quero me tornar distinta de tudo lá fora. Desejo, mais do que nunca, que todo esse barulho cesse. Eu rogo aos seres mais impetuosos que me deixem viver longe de seus dramas fúteis.

Ouço o zumbido que ultrapassa as paredes de meu mundo: coloca o anel, tira o anel, coloca o anel, tira o anel. Estou cansada de ouvir esses atos de grilhões, de sentido tortuoso. Estou desapontada com o telefone que chama antes que eu me recoste para dizer palavras fuzis sobre pensamentos indignos. Estou devastada com conversas que não me dizem respeito e que invadem minhas noites de sono. Estou assustada com a força com que os atos alheios podem afetar os meus dias. E as minhas noites.

Peço altas. Cansei dessa brincadeira contornada de torturas que vocês insistem em jogar. Não, obrigada. Eu não pedi para participar disso. Por favor, recolham os seus gritos e seus atos sem sentido e marchem para longe de mim. Levem os seus anéis, as suas vozes ásperas, os seus telefones e terrores. Mas me deixem ficar. Não quero o menor respingo de suas brincadeiras catastróficas sobre a minha existência. Eu me recuso a ser parte disso e não aceito mais nenhuma gota de suas lastimáveis cores ocres a macular minha pele. E agora peço licença, no estilo mais puramente moçambicano, para ir começar um lindo novo mês. Quem quiser me acompanhar, que siga os meus termos.   

16.7.12

Quero falar sobre livros


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Esta noite quero falar sobre livros. Quero falar, mais especificamente, sobre os livros que recebi pelo Correio durante o mês de julho (e hoje ainda é dia 16).  

Sempre gostei de livros, de ter o universo paralelo das palavras para pintar com belas cores os meus dias. Geralmente intercalava um clássico da literatura mundial ou nacional com um livro mais chick lit (ou mesmo algo no estilo romanzo rosa). Mas, ultimamente, ando seguindo mais a minha intuição, algumas sugestões de pessoas com gosto parecido com o meu e, confesso, as promoções nas livrarias. 

Dentre os livros que recebi este mês, vários são de autores que gosto muito (Fabrício Carpinejar, Sophie Kinsella, Lycia Barros e Meg Cabot). Alguns foram indicações ("Contos Contemporâneos Coreanos", "A Invenção de Hugo Cabret"), enquanto outros eram desejos antigos que as promoções ajudaram a realizar  ("O Diário de Anne Frank" e "On the Road"). Por fim, os demais entraram na lista meio ao acaso, por motivos diversos -- mas já tinha ouvido falar ou lido resenhas de todos eles. 

A lista de livros que quero ler parece nunca diminuir. Muito pelo contrário, ela parece estar sempre maior! Não sei se com todo mundo é assim...será que é? :)




3.7.12

Mudanças: quero falar sobre mais do que sentimentos.




Há seis anos atrás eu criei este blog. Ele surgiu meio ao acaso, de um minuto ao outro, sem reflexão prévia. A concepção de um “blog privado” parece carregar em si uma grande contradição, bem sei. Mas a ideia foi bem essa. Ele nasceu como um espaço para que, vez por outra, eu colocasse os meus escritos ali mesmo. Escritos que transbordavam com intensidade, que insistiam em não caber apenas nas páginas de diários, em pedaços de papéis aleatórios, no final de cadernos de escola. Mas nem familiares ou amigos próximos foram informados do endereço do meu blog. Ele era meu -- e isso bastava.

Acontece que seis anos se passaram. E nesse tempo muita coisa mudou. Nos últimos seis anos eu aprendi muitas coisas, sorri muito, chorei bastante. Eu peguei emprestado cerca de seis quilos (eles não são meus!), fiz novos amigos, assisti muitos filmes. Estudei nos Estados Unidos, terminei a faculdade de Direito, aprendi alguma língua estrangeira. Eu dancei muito Ballet, perdi um cachorro amado e vi meus pais adotarem outros dois. Terminei uma pós, comi bastante chocolate, conheci pessoas de países aonde cartas não chegam, li bastante. Morei na Itália, fiz mestrado, substituí as plataformas por sapatilhas. Ganhei manias, troquei o Ballet pelo Pilates, escrevi muitas cartas, recebi outras tantas. Aprendi a dar valor a coisas que antes não dava. Viajei bastante, sonhei com outras tantas viagens. Conheci meu amor . Testemunhei alguns milagres no cotidiano da vida, tomei bastante chá e vivi várias despedidas. Senti dores crônicas, criei novos sonhos de vida. Celebrei os 101 anos da minha vovó linda, comprei muitos livros. Eu morei em oito casas diferentes. Enfim, eu mudei.

Hoje não quero mais falar apenas sobre sentimentos. Não quero mais um blog que seja apenas meu. Eu quero algumas mudanças no blog também, algum traço antes oculto que ora penso que deva ser manifestado. Quero algumas mudanças só minhas, mas sem cair nas obviedades, refletidas no meu lovelymelody. Não sei ao certo onde isso tudo vai dar, mas estou disposta a experimentar. Vem comigo!  


21.5.12

Epifania! (21.05.2012)


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Ela insiste em deixar de se desfazer de uma caixa, de uma lembrança. Ela continua a imaginar que o tempo passa na mesma velocidade de outrora – e que a velocidade  que se modificou foi a dela. Ela relembra sentimentos e cenas como se houvessem ocorrido hoje cedo. Mas a verdade é que eles ficaram há muito em um passado distante. Ela tem dores familiares, criadas por desesperos pretéritos, como se o passado e o presente se misturassem sinestesicamente. Por vezes, acorda com pesadelos sombrios de coisas há tanto acontecidas. E passa o dia a pensar que acontecem ainda.

Estranho como a volta do passado, em uma forma inimaginável, foi capaz de fazer com que ela percebesse que as coisas mudaram. E que não há porque ficar por se perguntar sobre motivos sem sentido, sobre as razões ocultas desse pesado confronto: passado-presente. Em verdade, ela acaba de perceber que o que restava compreender é que hoje não é ontem, que as coisas não caminham mais na velocidade de outrora (nem deveriam fazê-lo, vale dizer!) e que reencontrar-se não significa o retorno ao pretérito. Em absoluto! Significa apenas descobrir uma nova forma de caminhar, de ver as coisas, a vida.   


12.05.2012



Um arrepio fino, um respirar mais intenso. Fico sem saber o que esperar dos próximos dias. Fico a acalentar sonhos, a suspirar vontades. Fico aqui a querer um som imenso a fazer meu ser se embalar e relaxar. Eu gostaria de poder sentir a paz de saber que tudo dará certo. E se não deu ainda é porque não chegou ao final (aqui a referenciar livro).

Bom, acontece que muitas vezes as coisas parecem fugir ao mais absoluto controle. Ao meu controle. Mas sei que tudo está sendo segundo uma Vontade. Mas saber isso não faz com que os dias passem de maneira mais tranquila. Por enquanto não. Mas eles hão de passar!

De qualquer forma, agora vou me preparar para uma noite linda. Baile e sorrisos me aguardam.