13.4.12

Esta noite



Esta noite eu quero me despir de tudo aquilo que me paralisa. 
Eu quero me livrar do medo, da tristeza, da incongruência. 
Esta noite eu me banho vorazmente para limpar meu ser de tudo que o impregna. 
Uso sabonete alvo para alcançar a pura essência de meus pulsos.  
Eu busco, com todas as forças possíveis, as verdades escondidas n´alma minha. 
Eu tento, veementemente, me encantar com as puras vontades Schopenhauerianas que me dominam. 
Eu quero me desfazer das descrições ridículas que minha razão cria. 
Eu quero me perder em folhas secas de jardins, quero abrir meus braços e fechar os meus olhos enquanto caminho e canto em praça pública.  
Eu quero a liberdade de poder sorrir plenamente. Eu quero me encantar com as coisas, com tudo. 
Quero acreditar no óbvio. E no não óbvio também. 
Eu quero o sublime a enaltecer minha vida. 
Eu quero ser mais do que simplesmente um ser que pulsa. Quero pulsar com vontade! 
Quero pulsar com a liberdade de quem sabe que pulsa. 
Não importa a razão, não importa o onde, o como. Importa apenas o pulsar pleno!
Eu quero me despir de medos, de limites, de reflexões sem fim. 
Eu quero me entregar aos meus meandros, sem pudores. Eu quero viver, plenamente. 
Eu quero sorrir a despeito de cápsulas barulhentinhas. Eu quero engrandecer a minha própria vida. 
Quero que ela valha a pena. Quero me entregar aos meus sentidos, aos meus pulmões. 

Mas eu quero, acima de tudo, confiar. 
Quero confiar que -- não importa o que -- tudo dará certo! 
Quero confiar que trata-se de uma fase e não de uma nova forma de ser. 
Quero confiar que sei sorrir com vontade, que sei me derramar com vontade. 
Que sou intensa, que sou merecedora.        


01/04/2012 ~ 11.50pm

19.3.12

Amanhã



Amanhã tenho dois compromissos no mesmo horário. Um me impulsiona a seguir o futuro, mas me lembra que ele não é mais como fora o meu passado. O outro compromisso me faz encarar o passado, mas com auspícios de um futuro melhor. 

Não sei ao certo o que fazer. Talvez devesse forjar desculpas sem sentido para não me comprometer em nenhum dos dois lugares. Talvez devesse tentar mudar os horários e adptar minha agenda para essa nova vida carregada de intensidades causadoras de estranhezas. Talvez eu devesse me esquecer de buscar sentidos, guardar lembranças, macular linhas. Talvez eu devesse apenas tentar me adaptar, o melhor que eu puder, para essa coisa do inusitado. Mais um dia, mais uma vez. 

Abro parênteses: Não que eu não esteja tentando -- Eu estou! Acredite em mim! Mas acontece que, vez por outra, as coisas parecem um pouco fora de foco. É quase como um tremendo devaneio sem sentido, um emaranhado de perguntas sem resposta. Fico aqui, quietinha, tentando entender as coisas. Mas elas brincam de se esconder de mim. E nesses momentos eu fico sem entender como fazer funcionar. Afinal, basta che funzioni. Fecho parênteses. 

8.3.12

Então hoje é dia 8 de março...



Ouvi por ai que Carpinejar defende as mulher loucas. Mulheres que pintam os cabelos de vermelho, mulheres que destroem chás alheios. 
São aquelas mulheres instáveis, repletas de urgências. Mulheres que descem de carros em movimento, mesmo que embaixo de chuvas torrenciais. São mulheres absurdamente insanas, dessas que ameaçam jogar celulares dentro da piscina. Elas tentam se arremessar da janela de um prédio, mesmo que seja do primeiro andar! São mulheres intensas, que amam intensamente, que desejam loucamente. São  mulheres que perdoam traições, que se indignam quando ligam e não são atendidas. São mulheres que colecionam absurdos e incongruências. São mulheres que conseguem se esparramar ao chão enquanto gritam ao telefone e em poucos minutos estão a invadir uma casa sem pestanejar. São mulheres corajosas, mulheres covardes, mulheres absurdas. Ou melhor, absurdamente loucas. O que me resta dizer nada mais é senão que Carpinejar é que é louco. Não há beleza qualquer neste tipo de mulher. Não há beleza em quem não pode se controlar, não sabe se portar. Existe um limite daquilo que é tolerável, que se deve suportar. Uma mulher obrigada a se entregar a tantas histerias não pode estar sendo bem tratada, cabendo a ela apenas se retirar.

OSB: Eu escrevi este texto há algum tempo, somente para responder aos argumentos de Carpinejar. Apenas aproveitei o dia para postá-lo, apesar de saber que não guarda relação com o significado da data de hoje.  


7.2.12

22.12.2011



Para terminar o ano com chave de ouro nada melhor do que ler uma reportagem sobre a plasticidade cerebral. E ter a certeza de que não, não estamos determinados pelo nosso cérebro. Mesmo que durante os últimos meses essa idéia tenha sido discutida incessantemente, semana após semana, e que todo o fatalismo estivesse já a impregnar os pedacinhos de ideia ou alma minha (considerando-se aqui a concepção precípua da alma também estar no cérebro). Hoje vejo esperanças. Esperanças em voltar a acreditar na liberdade, no falecimento do determinismo, na possibilidade do impossível. E quem quiser dizer que não e listar neurocientistas ou estudos fatalistas pode antes avaliar as imagens de cérebros completamente transformados. Um tributo à neuroplasticidade, um tributo a Deus! Que linda forma de começar um novo ano!  

15.10.2011



What to say, what to think? 
She keeps wondering about truth, about reality, about feelings. She keeps wondering about future. 
Well dear wonder gal, all I can tell you is that one can't live by past memories, neither by future fears/plans. 

Once in a while I could stand her words of fear, her tears. But now they are too much for me. 
I can't take her pain, I can't cope being her supporter whenever needed. 
Her feelings can be as dissociate as the world's politics. Her fears can be as strong as an Indian storm. Her perceptions can be as blur as whatever. 
Well, there is nothing much letf to say. 

So I must keep going. Must keep having my daily tasks done, my dreams accomplished, my loved ones loved. 
Must keep on being happy and healthy, day by day, second by second. Life is amazing!! 

20.03.2011


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Por vezes parece que ficam coisas por dizer. Nada muito essencial, nada muito imprescindível. Em verdade, parece que restam coisas prosaicas para sem ditas, para causar aquele riso gostoso no canto dos lábios.  Apenas isso. Às vezes parece que todo o tempo do mundo é pouco tempo. Ou tempo suficiente para que se cante um hino mal cantado, que se discuta o grande (?) império Romano. Por vezes fico a destrilhar reflexões sobre o que se passa aqui dentro. Por vezes esqueço-me das palavras, esqueço-me dos sentidos

Algum dia de 2011


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Pela manhã caminhava pela minha cidade e fiquei a pensar em seu encanto. Tudo fechado, quase ninguém nas ruas. E eu com um sorriso admirador de tudo aquilo que me apraz por aqui. Estranho me encantar com tantas coisas nesse lugar. Estranho mesmo. É uma estranheza boa, uma estranheza enaltecedora. 

Mudando do prosaico para o inominado, não sei bem a razão de tanta teimosia em fazer algo que encabula. Ao menos encabula a mim. No ideal, não seria necessário viver assim, seria? Acho que nos tempos de Lucrécia Borgia teriam-na matado. Talvez esteja exagerando as consequências, talvez não fosse assim naqueles tempos. Mas ainda me irrita bastante essa coisa. Inominada. 


18.4.11


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Dickens foi astuto ao afirmar aquele amor contra um universo. "I loved her against reason, against promise, against peace, against hope, against happiness, against all discouragement that could be. Once for all; I loved her none the less because I knew it, and it had no more influence in restraining me, than if I had devoutly believed her to be human perfection."

Mas  parece óbvio que ele tenha se esquecido que, apesar da beleza de seus termos, não há qualquer beleza fática nisso. Não, não mesmo. E ai de quem ousar me contradizer neste ponto. Parece faltar senso àqueles que creem em tais brevidades.  

Amor? Um amor do tamanho do infinito (sobre dois). Um amor real. Um amor constante. Um algo a surpreender qualquer idéia preconcebida, qualquer intenção pre-estabelecida. E vão-se os dias; e os sonhos; e as felicidades: sempre a nos acompanhar, a nos embalar.
Porque eu amo com razão, com promessas, com paz, com esperança, com felicidade, com todo o encorajamento que pode existir.       

19.3.11

13/03/2011



Nos momentos em que me faltam os termos necessários para descrever algo sinto arrepios ingratos. Queria que as palavras que busco sempre estivessem disponíveis. Queria que a minha escolha de tons para descrever um mundo fosse sempre a mais acertada. Mas sou cônscia da minha limitação. Particularmente em alguns momentos, devo ressaltar. Neste instante eu sei que as palavras que queria usar não existem. Faltam os termos singulares para que fosse possível dizer desses sentimentos todos. São sentimentos não apenas doces, não apenas serenos, não apenas completos. São sentimentos que transmutam o óbvio, que enobrecem alma minha. São sentimentos de mais profunda e verdadeira essência. São sentimentos de amor. Grande e real. Sem mais.      

24.2.11



Às vezes sinto falta de dizer de mim.

E esta urgência me é tão estranha.

23.2.11

Can you keep a secret?



I was told today that she loves when he cooks for her. Green eggs and ham? No, not quite. Egg, rice, tomato salad and beans. Or (as usual) something amazingly fancy. Maybe a four leaf salad with olives, peach and italian tomatoes along with piemontese rice. As good as it gets!

14.12.10




Alla fine della giornata non c'è niente di meglio che ascoltare quelle tre parole. 
Ed essere sicura che lui è lì per te.



In the end of the day there is nothing better than hearing those three little words. 
And being sure that he is there for you. 


30.11.10



Cá estou a pensar em uma forma de contar a vida... (e começo a narrativa com toques de Moçambique, bem sei). Poderia contá-la em anos, em meses. Poderia contá-la em semanas, dias. Minutos. Ou poderia contá-la em vitórias, em desafios, em grandes mudanças, em dores. Eu poderia contar a vida pelas vezes que meu coração bateu forte, pelas vezes que senti um pulsar de viço em meus átrios. Ou, simplesmente, pelas vezes que eu me fiz felicidade pura. Poderia contá-la na medida das lágrimas que derramei, dos sorrisos que dei.

Abro parênteses: Na semana passada fiz um inventário dos últimos 10 anos. E, ao final, gostei do que vi. Este final de semana percebi os últimos 90 dias com uma intensidade doce. Doce, amável. E devo dizer que esta manhã de domingo foi marcada por uma felicidade ímpar! Palavras de afirmação assim tão cedo, depois de todo o significado daquele "boa noite" a embalar-me os sonhos...ah, os sonhos! Como posso sonhar ao seu lado....

Eu não me canso de ser surpreendida. Há uma semana foi um almoço carregado e esquentado.. Esta semana foram infinitos toques de sutileza preciosa: um almoço em mãos, uma cumplicidade absurda (e minhas botas estão limpas!). Eu poderia me perder em detalhes grandes ou pequenos de uma grande história. Mas confesso: prefiro me encontrar neles (e já me acostumo com isso)!  Fecho parênteses. 

O meu tempo poderia também ser contado nos meandros de intensidade, nas vulgaridades do dia-a-dia. Restam inenarráveis todas as características que compõem os meus dias, a minha existência. Restam indescritíveis os detalhes que tornam o meu tempo vida. E, em verdade, devo dizer que termino a noite não mais pensando em contar a vida. Encerro o dia dedicada a criar formas de vivê-la intensamente, a saber cada contorno dela, a saborear cada retoque que só ela tem. Embalo-me nos mais doces sonhos de viver, de existir. Nos mais elevados desejos de completude, de redenção. Embalo-me também na certeza da felicidade de ter-te comigo.  

28.11.10

November 2nd, 2010.



That was, indeed, one of the most sweets moments in life. To be honest, she can't recall right now a sweetest one.  
She was listening to a story of a little girl and a young guy. The story was cute (as a real love story should be), but she would never expect to hear that his heart was tight. Why, why it would be tight, she kept wondering? The answer was simple: because it was aching. She had nothing else to say than "if you say such thing I must cry..". He replied in a soft manner "then I must cry along..". 
She did turn over and the tears slipped through her face. It was probably the sweetest display of care...and he noticed her tears and his tears came along. For a few minutes the world stopped.  And everything made sense. 
Why a tight heart? As once she heard that love happens when it aches. And those tears? They were certainly not for pain, but for surrender.  
 

26.10.10



Nesta hora da noite tudo o que eu queria era colocar em palavras o que o meu ser inteiro não cansa de entoar. Nesta hora o que eu gostaria era de ouvir os rios que se transbordam falando por mim. Nesta noite o que eu queria era que o brilho dos meus olhos fosse lido. Eu queria ter a proficiência de falar de sentimentos grandiosos e inesperados. Eu gostaria de poder fazer com que o mundo todo soubesse que eu fui (inadvertidamente) absorvida por um sentimento doce. Doce, delicioso. Delicioso e leve (leve como um passarinho, uma borboleta. um burburinho! Oh..que delícia!!). Um sentimento que decido fazer sem limites, que decido fazer todo vida. Um sentimento que decido dividir simplesmente (e somente) com você. Um sentimento que (confesso) jamais imaginei que pudesse existir. Mas ainda bem que ele existe, ainda bem que te encontrei!   

10.10.10



Cada pequeno detalhe me leva à mais singela conclusão: não poderia não ser!! Cada pequeno suspiro me leva ao mais tremendo apertinho: saudades. Cada minuto antes de adormecer me leva ao mais tenro pensamento. Cada dia, cada dia...ciranda! Vejo faíscas discretas, vejo uma tranquilidade absurda. Vejo o som de vozes silentes, a marca de gestos incríveis. Nem um passo fora do centro, nem um milímetro de absurdo. Nada, nada para macular essa pequena grande verdade. E vem os pequenos, rodando, rodando, e um beijinho em cada rostinho. E depois vem os pares, a família toda acompanha. Nada, nada, nem um vestígio de incongruência. [Serenidade]. 

E esta capacidade ímpar de fazer-me sempre absolutamente confiante e segura. E a aptidão de fazer sempre com que eu fique a ansiar por mais. Uma verdade absurdamente linda....e imaculada. [Real].


10/10/2010



I love the fact that you also have tea without sugar.

13.9.10



Hoje eu encontrei com uma velha amiga. Cicciona. Para dizer a verdade, ela é mais ex amiga que ainda amiga. Eu realmente não tenho muita paciência com pessoas que ficam a me dizer o que pensar, o que fazer. Ela tem dessas coisas. Ela fica a achar que seus pensamentos são os únicos, que os seus atos (ou falta deles) são os melhores. E é exatamente por isso que nossa amizade não durou muito. 

Eu insisto em achar que lhe falta um pouco de saúde. Ela e essa obsessão toda...isso não poderia ser normal. Ela, como sempre, ficou a dizer os absurdos alheios. Exagerando cada detalhe. Ela tentou me convencer a juntar sacos e sacos de tralhas, me desfazer de um mundo ("nem que seja para jogar tudo pela janela", dizia ela). É isso, é exatamente isso que me faz não tolerá-la: essa necessidade absurda de querer controlar o que não lhe diz respeito!! 

Por um tempo ela me pareceu fighissima, mas logo percebi que não nos daríamos jamais. E foi nessa época que nos afastamos. Um verdadeiro divórcio. Eu parei de ouvir seus recados, comecei a ignorar tudo aquilo que vinha dela: seu modo de pensar, suas palavras, seus atos....sua presença. Hoje eu evito, inclusive, os lugares que frequentávamos juntas.

Eu a ignorei. E desde que me afastei daquela schifosa minha vida mudou muito. Parece bobagem, mas é a mais sincera verdade. Hoje ela decidiu dar o ar da graça ("desculpa, alguém te convidou??"). Ela veio como nem não quer nada, quis dividir um chá, contar que achava um absurdo ele não checar como ela estava, blabla. Eu é que acho um absurdo ela se importar com isso, se me é permitido ter uma opinião! Ela deveria parar de pensar que essas bobagens me importam!! Talvez assim ela parasse de perder seu tempo conversando comigo, desfilando essas bobagens que há tanto não me importam. Mas acho que ela ainda não se deu conta de que não temos mais uma relação. Ela conseguiu ser absolutamente inconveniente. E a pior parte é que ela me tomou um tempão do meu dia...e tempo perdido não volta atrás!

Bom, mais uma vez repeti as razões que me levaram a não mais querer que ela fosse parte da minha vida. Disse que não mais tomarei chá ou coisa que o valha com ela, mesmo que me diga que tenha "algo muito importante para dizer". Eu tentei ser enfática o suficiente para que ela entenda, de uma vez por todas, que esse relacionamento não existe. Ela que busque alguém que goste de ouvir opiniões e palpites (não pedidos); alguém que tenha maior tolerância aos comentários maliciosos e impertinentes que só ela sabe fazer! 

Crueldade? Crueldade é falar sobre assentos de ônibus, sobre cremes alheios, sobre faltas de respeito, sobre tralhas...crueldade é aparecer sem ser convidada e querer tomar os meus chás recém chegados da Polônia, enviados com tanto amor. Isso sim é falta de caráter e crueldade!!
   

5.9.10

Turkey (not the Potbelly one!)



Last night I dreamed that the airplane landed and I read a big board saying "Welcome to Turkey". I simply thought: "Neat! I always wanted to visit Turkey anyway!!". Then I started wandering around the airport and I remembered that someone once told me that it was not nice for a lady to be walking alone in a certain country.......I tried to remember which country it was, but since I couldn't, I figured out it might as well be Turkey, so I decided to be careful (In fact it was not Turkey. Now that I am awake I remember which country it was, but I'd rather not mention it here).

I started trying to find a cab but I saw none. So I went to a group of police officers and asked them where I could get a cab. A nice policewoman told me that she could call for a taxi for free for me; she just needed the address of the place I was heading to. I told her I didn't know...so she said she couldn't get me a cab.

I had no clue why I arrived in Turkey and where I was going afterwards. I had a feeling that I might be going to Germany in 3days, but wasn't sure. I had no guides, no idea of what was about to happen and why I went there. The simple fact that I was in a neat place was enough. I thought about going to a Hotel, but I wasn't sure how much money I should spend, since I didn't know for how long I would be staying there. At that point I assume I should be trying to figure out what to do next, but I simply remained there chatting with the group of police officers. They were all so nice to me. One lady mentioned that she was also a foreigner and I asked her from where...she replied, in French (but with an accent), that it was not a neat place. I kept looking at her face imagining where she could be from...I had a guess but I didn't dare saying it, as she would think that I figured out her origin just for listening that her country was not interesting. And for a moment I wondered if there is such a thing as an uninteresting country. But then we just kept on chatting. After few minutes I knew that 2 of them were a couple, but their high officer shouldn't know that. We were all chatting, as old friends. I had the feeling that the foreigner one would invite me to stay at her place while I would be in Turkey -- we were already too good friends. At a certain point I said something in Italian and then corrected myself back to English.....then I told them the only sentence I know in Turkish....... And even when they were all talking in a language I can't distinguish a sound, I felt like I could. Everything was so natural....so normal. 

Estranho esta coisa de sonhar com a Turquia. Mais estranho ainda uma Turquia sem planejamento, sem causas ou finalidades claras. Estranho o contentamento apenas por estar em um lugar diverso, carregado de possibilidades infinitas, cheio de novidades. Eu não consigo me lembrar se falei da minha origem, mas acredito que não. Souberam que eu não era dali e isso foi suficiente. Como aquela outra, que se disse estrangeira......bastou dizer que não havia nada demais naquele detalhe de nacionalidade para que o assunto fosse interrompido (em Francês). Tentei entender suas feições, seu olhar. Eu a havia tomado por Turca, e muito bem ela poderia sê-lo. Ela saiu de casa (Onde é casa? Where is home?), fez novos amigos, aprendeu uma língua diversa e vestiu um uniforme. O que mais precisava para ser um deles? Ponto e basta. 

Gostei de experimentar um absoluto acaso, cheio de possibilidades. Sei que não saber para onde vou não costuma me parecer muito interessante. Sei bem que fiquei enfadada de não poder planejar os próximos meses...sei que muito por isso eu decidi trocar de prioridades não há muito. 

I indeed gave up much to be where I am right now. I gave up concrete things for something else....I am still fully confident it was the correct choice. And I want to pay off the debts I left for not helping those kids in D. just by being able to do what my heart burns for.....I can still work with the things I love....but in a different perspective (It is the first time I write about that...still not in a concrete way, but it is a start). 

I did so much in order to not be unaware of the following months but what is life if not an airplane that takes you anywhere (as Turkey, why not?!)....for those who shared with me the feeling of having soup or vegetables with curry and a touch of "despearation" for not knowing where we would be in a while, I really don't need to say much. 

But it really surprised me that a dream would make me acknowledge that even working hard to have roots one can never know for sure where he is heading to. And even though it could be a little dangerous for a lady to be wandering around, it is unbelivable interesting to deal with the huge and amazing board saying "Welcome to Turkey!!", a place you didn't plan heading to. 
  

 
 

 

2.9.10

Per A.



Querida Amora,

Eu sei que talvez não devesse estar te escrevendo por agora. Mas o faço porque esta noite eu quis poder colher refúgio na sua casa, ao seu canto. E você não saberia jamais se eu não ousasse falar. Esta noite quis fazer promessas em P.S.S.´s infinitos, quis ouvir sobre os braços perdidos de Piteco. 

Esta noite queria terminar um mundo e abraçar um universo... Esta noite eu quis muito poder perder as minhas raízes (e eu tenho isso?), quis ver tudo parar. Esta noite eu não me senti cansada, mas sim verdadeiramente consumida. Esta noite queria poder descontar os espaços e tempos que nos separam para criamos nossas conversas infinitas. Queria esquecer de todo esse mundo jurídico absoluto que me circunda...(só por alguns instantes! Meu esquecimento não duraria mais que isso!).  

Eu fiquei por pensar sobre a nossa incapacidade de concordar com praticamente tudo...fiquei a me perguntar se, em breve, algo será diferente. Fiquei a me lembrar das minhas visões obstinadas de existência, de suas teorias livres. Eu tive certeza que eu me encantaria com suas novas histórias, e que eu te encheria de liberdades ao me ouvir falar. Eu tive certeza de que não precisaríamos de nenhuma massa para acompanhar  o vinho. Nós, esta noite, certamente releríamos o passado com os olhos de contemporaneidade. Criaríamos subterfúgios para reviver o que nos parecesse aprazível (!) e para macular lembranças desnecessárias.

Abro parênteses: sabe o que eu queria mesmo? Queria segredar confissões, falar certezas, pauras, convicções, gracinhas e relatar detalhes inescusáveis de pensamentos tortos, só para ter o prazer de ouvir sua gargalhada gostosa a rir de minhas intensidades, de te ver fazer das grandes questões pequenas bobagens. Ah! Como eu queria isso tudo esta noite!! E queria ouvir meus argumentos serem massacrados por listas; queria sentir o viço de rechaçar suas inquietações sobre a minha fala, para, juntas, construirmos teorias novas e sensatas (ou não!).......queria também te contar que o silêncio tem já o poder de me irritar e que, cada vez mais, me entrego nas entrelinhas das conversas do dia a dia. Isso mesmo! Fecho parênteses.

Amora, agora eu me vou. Não para o canto da cama sua...esta noite não. Aguardo o meu presente de aniversário com os braços tão abertos que poderia abraçar o mundo (quem sabe eles não chegam ai para trazê-lo, confortavelmente, para cá?!). Saiba que eu te amo tanto tanto e que, em breve, poderemos reinventar nossas (novas) individualidades juntas....a essência jamais muda, mas quem melhor do que nós para sabermos recomeçar (e para entendermos isso em meias palavras). Tenho saudades de você sempre....tenho saudades de mim em ti. Amo você!